O Jogo da Sabedoria / Cuidado Azul

Recentemente temos lido muito sobre o jogo da Baleia Azul. Logo após, criaram o jogo da Baleia Rosa, com 50 desafios de amor à vida. Infelizmente também criaram uma sátira, o Jogo da Preguiça Azul, onde se chama o jovem de idiota, inútil entre outras coisas pejorativas.

Acredito que devemos tratar os outros como gostaríamos de ser tratados (ou, como vi recentemente, tratar os outros como ELES gostariam de ser tratados), não vi graça nesta brincadeira da Preguiça Azul. Ninguém gostaria de ser chamado de inútil e idiota e não vejo como isso poderia ajudar de alguma forma um jovem.

Então, eis que hoje me deparei com um jogo extremamente bacana, chamado de “Sabedoria Azul”. São 50 desafios para os pais, mães e responsáveis, para evitar que as crianças, jovens e adolescentes tenham comportamentos depressivos. Este, sim, acredito que vale a pena passar adiante. O texto é de Andréa Mascarenhas. E é incrível. Boa leitura e, vamos praticar este desafio do bem!

O JOGO DA SABEDORIA AZUL / DO CUIDADO AZUL: 50 desafios para pais e mães – Atitudes que evitam que sua criança, seu adolescente ou seu jovem apresente comportamento depressivo ou apresente interesse pelo jogo da Baleia Azul

01. Diga a seu filho todo o dia que o ama;

02. PROVE para seu filho todo dia que o ama;

03. Ensine-o atividades de colaboração no lar, desde criança. Mas, cuidado: nunca o obrigue a colaborar se ele estiver apresentando indisposição, sono ou algum sinal desfavorável; respeite seus limites como criança e prossiga ensinando-o a colaborar;

04. Leia, pelo menos, 5 artigos científicos que falam do desenvolvimento infantil e conheça cada fase detalhadamente, a tal ponto de nunca solicitar a seu filho algo que ele ainda não esteja pronto física, cognitiva e emocionalmente para fazer;

05. Dependendo da idade, ele pode sim aprender a lavar pratos e limpar a casa onde mora, mas não se esqueça: colaborar é diferente de trabalhar. respeite seus limites, cuide para não tirar seu tempo de estudar e ser criança;

06. Se para tirar as roupas do varal, ele precisa de escada, analise se essa não é uma tarefa para anos depois. Assuma suas tarefas ou procure outro adulto da casa para assumir; nunca sobrecarregue seu filho com tarefas que são de sua responsabilidade. Respeite os limites da criança e nunca lhe peça nem lhe obrigue a fazer algo para o qual ele ainda não possua prontidão corporal;

07. Peça ajuda de seu filho na hora de limpar a casa; limpe-a com o ele, para que sinta o quanto é útil ajudando-o/a. Você consegue deixar a sua casa limpa em 5 minutos? Então não exija de seu filho algo que nem você consegue fazer. Essa atitude é agressiva, exploratória, desrespeitosa e não ensinará nada de positivo à sua criança nem ao seu adolescente, pelo contrário, estará lhe ensinando o desrespeito e a apatia; estará lhe ensinando a ser indiferente às dificuldades e limites das pessoas; está lhe passando a mensagem de que o mais forte manda no mais fraco e essa pode ser uma lição muito perigosa;

08. Ensine-o tarefas colaborativas, incluindo cozinhar; mas certifique-se de que ele não corre riscos nem esteja sendo cobrado de algo para o qual ainda não está preparado para fazer. Mesmo cansado/a, cozinhe feliz, ainda que você deteste fazer esse serviço; assim, estará ensinando a seu filho que é gostoso cozinhar;

09. Pelo seu próprio exemplo e competência, ensine-o a gostar dos serviços do lar e a colaborar sempre;

10. Evite comer pão todos os dias. Comprar pão na padaria é fácil; ensine a seu filho, pelo seu próprio exemplo, a se alimentar bem; prepare a cada dia um alimento saudável e peça a sua ajuda no preparo; ele vai amar!

11. Ajude-o nas tarefas escolares; importe-se por cada atividade; acompanhe seus avanços e o ajude a superar os “erros de português”;

12. Acompanhe o seu filho nos estudos diariamente, incentivando-o a tirar boas notas, mas ajudando-o a não se frustrar caso não atinja as melhores. Acompanhe-o de tal modo que ele nunca seja reprovado numa disciplina; entenda que, dependendo do desenvolvimento do seu filho, ele sempre vai precisar de sua ajuda para conseguir avançar;

13. Faça com que ele prefira a sua presença e companhia à do celular e à da internet; Conquiste-o para bem pertinho de você;

14. Lembre-se diariamente (você não pode se esquecer disso nem por um dia): os maiores riscos hoje podem estar dentro de casa e não lá fora; então, não seja um pai ou uma mãe que perde os filhos “dentro do quarto”; saiba o que ele vê na internet; acompanhe-o, acompanhe-o, acompanhe-o;

15. O processo de educar é cheio de desafios; caso se perca ou tenha dúvida no caminho, procure ajude de amigos e/ou de profissionais;

16. Assuma, ao menos para si mesmo, que, muitas vezes, você não se fez presente e/ou não deu o exemplo (O pai ou a mãe perfeito que atire a primeira pedra!). Então, quando seu filho apresentar uma conduta errada, use de sinceridade e busque as falhas em você também; depois, planeje como melhor redirecionar a educação dele;

17. Nunca, em hipótese alguma, agrida seu filho com gritos, palmadas ou objeto qualquer. Procure ler e aprender sobre Disciplina Positiva. Trate seu filho com carinho e respeito e oriente limites com diálogo e pelo seu próprio exemplo; dê a ele um tratamento melhor do que você dá ao seu melhor amigo;

18. Leia pelo menos 10 artigos científicos que falam dos perigos dos gritos, das palmadas, chineladas e surras para o desenvolvimento psíquico, emocional e social do seu filho; aprenda a usar a Disciplina Positiva com ele;

19. Diariamente: quando você pensar em bater em seu filho, lembre-se que você não está criando um ser estranho que, após atingir a fase adulta, desvincular-se-á de você; você está criando um ser humano que estará cuidando de você quando já estiver sem forças, vulnerável e impotente;

20. Prefira a colaboração e respeito do seu filho à obediência;

21. Não foque em ter a obediência de seu filho; foque em ter seu respeito e amor. Para isso, trate-o dessa maneira. Se ele tiver seu respeito e amor, muito facilmente ele irá lhe dar a atenção que você pede e a colaboração de que precisa;

22. Leia pelo menos um artigo científico que fala sobre os perigos da obediência cega e cuide para que quando você exija do seu filho obediência aos mais velhos não esteja lhe ensinando a obedecer o adulto estuprador nem os criminosos do jogo Baleia Azul;

23. Dialogue com seu filho, peça-lhe com carinho o que quiser ou necessitar. Solicitar pode ser bem mais útil do que dar ordens; seu filho pode ser uma pessoa bem melhor para a sociedade se não aprender o autoritarismo;

24. Nunca, jamais chame seu filho por termos pejorativos. A palavra do pai e da mãe tem uma influência veemente nas atitudes e comportamentos da criança e do adolescente. Sugerir que seu filho se sinta idiota é inscrevê-lo na fila da depressão, da baixa autoestima e/ou na fila do suicídio; a culpa não é do jogo Baleia Azul;

25. Ensine-o a se comportar como alguém de sua idade, mas respeite-o em suas limitações. Caso ele não se comporte, tenha paciência para repetir as lições até que ele aprenda;

26. Se você não conseguir lhe ensinar o bom comportamento, a falha pode estar na sua metodologia ou pode estar havendo alguma dificuldade em seu filho que você desconheça. Se perceber alguma anormalidade, não tenha receio de procurar um profissional; muitos transtornos psíquico-sociais se iniciam na infância e são tratados tardiamente porque não se deu a devida atenção a problemas observados. Portanto, não tenha vergonha de assumir que precisa de ajuda;

27. Reconheça que filho não vêm com manual de instrução; tenha paciência de conhecê-lo para aprender a lidar cada vez melhor com ele;

28. Assista pelo menos a um documentário sobre a quantidade de crianças e adolescentes que se trancam no seu mundo por achar que seus pais não lhe amam, por não sentir seu amor e respeito;

29. Passe no mínimo a vida toda sem irritar e desrespeitar seu filho. Trate-o ao menos como você trata o seu melhor amigo;

30. Ensine a seu filho, pelo seu próprio exemplo, a não ser consumista. Não canse de dialogar e de dar exemplo sobre isso;

31. Seja simpático em todo o tempo com o seu filho (não somente em reuniões de família); não o trate como se ele fosse um embaraço em sua vida;

32. Se você estiver cansado (filhos dão trabalho e nos cansam mesmo), não o deixe notar que o cansaço é por cuidar dele. Evite frases como: “Você dá muito trabalho! / Estou cansado/a de você!”, pois assim ele pode se sentir culpado por existir e ter vontade de morrer e, mais uma vez, o problema não será o jogo Baleia Azul;

33. Caso não consiga esconder que está exausto/a, faça-o saber que está cansado/a, mas feliz demais e realizado em tê-lo em sua vida;

34. Jamais chame seu filho de chato, idiota, aborrecente ou termos parecidos;

35. Nunca, jamais, em hipótese alguma sinta que “aguentar seu filho” é uma coisa chata. Ele irá pensar que é um peso em sua vida e irá querer morrer e, mais uma vez, você não pode atribuir a tragédia ao jogo da Baleia Azul;

36. Apresente a seu filho bons programas na TV e bons filmes para que ele assista;

37. Assista juntinho dele, ao menos uma vez na semana, a um filme que lhe ensine lições e valores importantes;

38. Faça uma pipoca com seu filho, sorrindo à toa, e dialogue com ele enquanto assistem. Assim, um momento de diversão pode se transformar também em um momento de aprendizado;

39. Saiba onde seu filho está e por onde anda;

40. Conheça todos os amigos de seu filho e lhe permita brincar com eles na sua própria casa; a bagunça que eles deixarão é bem menos prejudicial do que a bagunça que ele acessará no mundão lá fora;

41. Não grite com seu próprio filho para que não lhe ensine a gritar; fale sempre em tom baixo com ele, do modo que você quer que ele fale com você e com o seu semelhante;

42. Pelo seu próprio exemplo, ensine a seu filho a não incomodar a vizinhança;

43. Pelo seu próprio exemplo, ensine a seu filho a respeitar as pessoas; use com ele as “palavrinhas mágicas” que você quer tanto que ele aprenda;

44. Nunca use o termo “Faça tal coisa que nem gente.”. Assim, ele pensará que está se comportando como um animal ou um ET; Essa confusão pode atrapalhar o seu processo de aprendizado;

45. Seja educado e fale baixo com seu filho, como você quer que ele fale com você; seu exemplo lhe será contagiante;

46. Conheça os projetos e/ou sonhos do seu filho;

47. Evite que seu filho busque aliados desconhecidos lá fora; seja seu melhor aliado, assim criará barreiras para a entrada de influências negativas;

48. Pare de apresentar mais interesse pelo WhatsApp e pelos amigos do que pelo seu próprio filho. Imagina como ele se sente?

49. Em vez de fazer humor com um assunto que envolve a vida de nossos jovens, que banalizam o suicídio e a depressão, que sugerem que é com violência que se resolve conflitos internos e transtornos psíquicos; em vez de divulgar imagens de havaiana azul, de enxada azul e de qualquer coisa azul, tenha a competência de criar um jogo mais atraente do que o da Baleia Azul, com 50 desafios que incluam atitudes de valorização à vida e às pessoas; presenteie a escola onde seu filho estuda e poste em pelo menos duas redes sociais;

50. Compartilhe estes 50 desafios que acabou de ler, em grupos de pais, mães e profissionais, para que mais pessoas reflitam em algumas atitudes simples que podem evitar que seu filho se interesse pelo jogo Baleia Azul. E, por favor, nunca divulgar farsas da internet, porque o jogo Baleia Azul foi uma farsa que, de tanto se espalhar, atraiu a curiosidade dos adolescentes e acabou virando realidade na Rússia e agora, possivelmente, no Brasil. Antes de divulgar conteúdo de natureza duvidosa, pesquisa sua veracidade.

Muito obrigada pela atenção!

Andréa Mascarenhas

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